A acne é uma condição dermatológica muito comum que afeta principalmente adolescentes e adultos jovens. Trata-se de uma doença multifatorial, inflamatória e crônica da unidade pilossebácea, formada por grandes glândulas sebáceas multilobulares, um pelo e um canal folicular largo revestido por epitélio escamoso estratificado.
Com exceção das palmas das mãos e das plantas dos pés, essas unidades pilossebáceas estão presentes em todo o corpo, com maior densidade e atividade dos folículos na face, no colo e no dorso.
As lesões de acne são classificadas em não inflamatórias e inflamatórias. As não inflamatórias apresentam apenas comedões (cravos), sem sinais de inflamação, sendo denominadas Grau I. Já a acne inflamatória pode ser dividida em Grau II, do tipo pápulo-pustulosa, caracterizada por comedões, pápulas e pústulas; Grau III, do tipo nódulo-cística, com presença de comedões, pápulas, pústulas, nódulos e cistos; e Grau IV, conhecida como conglobata, caracterizada por múltiplos nódulos inflamatórios, formação de abscessos e fístulas.
O problema afeta cerca de 80% dos adolescentes, sendo que entre 15% e 20% apresentam acne de moderada a grave. Estudos apontam que 50% dos meninos entre 10 e 11 anos já possuem mais de dez cravos, e que meninas entre 8 e 12 anos já apresentam manifestações de acne.
Nos últimos anos, especialistas têm observado o início cada vez mais precoce da acne, com surgimento do quadro em crianças de oito e nove anos. Essa observação clínica é sustentada por evidências epidemiológicas que indicam redução na média de idade de início da puberdade.
Na fase adulta, a acne pode persistir. Um estudo com dois mil adultos demonstrou que 3% dos homens e 5% das mulheres entre 40 e 49 anos apresentam algum grau da doença.
Outro dado relevante é a forte influência hereditária, com histórico familiar presente em cerca de 80% dos casos entre parentes de primeiro grau.
Além da predisposição genética, outros fatores podem desencadear ou agravar a acne, como o estresse, frequentemente identificado como gatilho para piora do quadro, e os hábitos de higiene. Existe uma percepção comum de que baixos níveis de higiene favorecem o desenvolvimento ou agravamento da acne vulgar, embora essa relação não seja tão simples quanto se imagina.