Peelings químicos consistem na aplicação de agentes que promovem a destruição controlada das camadas superficiais da pele, seguida de esfoliação, remoção de lesões e posterior regeneração de novos tecidos, proporcionando melhora na aparência cutânea.
A descamação terapêutica e controlada provocada por esses procedimentos é uma importante ferramenta no tratamento de diversas doenças e alterações estéticas. Suas principais indicações incluem manchas, cicatrizes e rugas finas, podendo ser realizados na face e em áreas corporais.
Os peelings podem ser classificados quanto à profundidade em muito superficiais, que removem o estrato córneo (profundidade aproximada de 0,06 mm); superficiais, que provocam esfoliação epidérmica da camada granulosa até a basal (cerca de 0,45 mm); médios, que atingem a derme papilar (aproximadamente 0,6 mm); e profundos, que alcançam a derme reticular média (em torno de 0,8 mm). Quanto maior a profundidade, mais evidentes tendem a ser os resultados, porém também aumentam os riscos e o desconforto no período pós-procedimento.
Os critérios para indicação de cada tipo de peeling incluem idade, fototipo, área a ser tratada, grau de fotoenvelhecimento, objetivos do tratamento, habilitação do médico aplicador e características individuais de cada paciente. Peelings superficiais geralmente são realizados em séries e apresentam descamação fina, enquanto os médios e profundos costumam ser feitos em aplicação única, com descamação mais intensa e formação de crostas. Cada paciente deve ser avaliado por um dermatologista, que indicará o tratamento mais adequado.
A aplicação dos peelings muito superficiais e superficiais é rápida e geralmente indolor ou causa apenas leve ardor. Os peelings médios duram cerca de 30 minutos e podem provocar ardor leve a moderado. Já os peelings profundos podem levar aproximadamente uma hora, pois são realizados por partes anatômicas, e causam dor intensa, sendo necessários ambiente hospitalar adequado e monitorização.
O preparo da pele deve ser iniciado pelo menos duas semanas antes do procedimento, pois reduz o tempo de cicatrização, favorece a penetração uniforme do agente químico e diminui o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória. Peelings muito superficiais geralmente dispensam preparo, enquanto os demais exigem cuidados proporcionais à profundidade pretendida. O preparo é realizado com substâncias que condicionam a pele, como ácido retinoico e/ou ácido glicólico, associados ou não a despigmentantes, como hidroquinona, ácido kójico ou ácido fítico, em veículos adequados para cada tipo de pele.
Os cuidados com a exposição solar são fundamentais, inclusive antes da aplicação. O uso de filtros solares com alto FPS e formulação hidratante é indicado durante todo o processo de recuperação. Pacientes com histórico de herpes simples devem realizar terapia antiviral profilática.
Os peelings químicos são procedimentos relativamente simples. Após um peeling superficial, a pele se reepiteliza em um a quatro dias. Já os peelings médios e profundos provocam uma lesão controlada cuja cicatrização se inicia em 24 horas e se completa entre sete e 15 dias, podendo a recuperação total, no caso dos profundos, estender-se por até três meses.
Os peelings muito superficiais e superficiais atingem apenas a epiderme e apresentam melhores resultados quando realizados em sessões seriadas, com intervalos curtos. A descamação subsequente costuma ser fina e clara, geralmente sem interferir na rotina diária do paciente. Melhoram a textura da pele, auxiliam no tratamento da acne, clareiam manchas, atenuam rugas finas e estimulam a renovação do colágeno. Entre os agentes utilizados estão ácido glicólico, solução de Jessner, ácido salicílico, resorcina, ácido lático e ácido fítico. Nos peelings superficiais também podem ser utilizados ácido retinoico, ácido tricloroacético a 10–25%, ácido mandélico, ácido pirúvico e ácido tioglicólico.
Os peelings médios provocam descamação espessa e escura, exigindo de sete a 15 dias para retorno às atividades habituais. São indicados para ceratoses (lesões pré-cancerosas) e rugas mais pronunciadas. Podem ser realizados com ácido glicólico a 70%, solução de Jessner associada ao ácido tricloroacético a 35%, ácido glicólico a 70% combinado ao ácido tricloroacético a 35% ou ácido tricloroacético a 35–50%.
Os peelings profundos são procedimentos mais intensos e agressivos, que levam à formação de crostas espessas e podem exigir curativos no pós-procedimento. A recuperação pode durar até três meses. Proporcionam resultados expressivos, com renovação significativa da pele e redução de rugas profundas, especialmente nas regiões ao redor da boca e dos olhos. Os principais agentes utilizados são o fenol e a solução de Baker. O fenol pode ser aplicado em toda a face ou de forma localizada nas regiões perioral e periocular. Apresenta risco de toxicidade cardíaca, considerada rara, e toxicidade renal, sendo obrigatória avaliação pré-operatória e monitorização adequada. É considerado padrão-ouro no tratamento do envelhecimento facial avançado, com resultados duradouros.
As principais indicações dos peelings químicos incluem fotoenvelhecimento, prevenção do câncer de pele em casos de fotoenvelhecimento grave, melasma, hiperpigmentação pós-inflamatória, acne, seborreia e cicatrizes de acne. Em regiões extrafaciais, recomendam-se peelings superficiais seriados, pois a reepitelização é mais lenta devido à menor quantidade de anexos cutâneos, e os resultados tendem a ser inferiores aos obtidos na face.
As complicações podem ser imprevisíveis e inevitáveis ou estar relacionadas à indicação inadequada, técnica incorreta ou orientações insuficientes. As mais frequentes incluem eritema e ardor intensos, epidermólise, cicatrização tardia, escoriações, infecções, hipo ou hiperpigmentações, linhas de demarcação, dermatite de contato e cicatrizes atróficas ou hipertróficas.
Os peelings químicos não devem ser realizados em caso de exposição solar recente, durante a gravidez, na presença de feridas abertas na área a ser tratada, em situações de estresse físico ou emocional intenso ou em pacientes com hábito de manipular a pele. As expectativas devem ser compatíveis com as possibilidades de cada tratamento, e a proteção solar adequada é indispensável.